Você sente desconforto constante e já ouviu falar que uma infiltração poderia resolver o problema. Logo em seguida surge a dúvida comum no consultório: qual substância aplicar? Devo escolher o Ácido Hialurônico ou o Plasma Rico em Plaquetas (PRP)?
Essa indecisão é natural. A medicina regenerativa avançou muito e hoje temos opções que vão além dos antigos corticoides.
Neste artigo explico tecnicamente as diferenças fundamentais entre a viscossuplementação e o PRP. O objetivo é que você entenda qual mecânica se aplica melhor ao seu caso antes de decidirmos o tratamento, especialmente se você já sofre com dor no joelho ao praticar esportes ou atividades diárias.
O que é a Viscossuplementação com ácido hialurônico?
Costumo explicar aos meus pacientes que o ácido hialurônico funciona como o óleo do motor de um carro.
Em um joelho com desgaste, o líquido sinovial perde qualidade. Ele fica ralo e perde a capacidade de proteger a cartilagem. A viscossuplementação é a injeção de ácido hialurônico exógeno para repor essa viscosidade.
Mecanismo de Ação
O foco aqui é mecânico e bioquímico. Ao injetar o gel, criamos uma película que recobre as superfícies ósseas. Isso reduz o atrito e melhora a absorção de impacto. Existe também um efeito analgésico, pois a substância ajuda a filtrar moléculas inflamatórias.
Para quem eu indico?
A viscossuplementação é o padrão ouro para a artrose do joelho leve a moderada. É ideal para o paciente que sente o joelho rígido ou tem aquela dor mecânica ao subir escadas. O objetivo é dar sobrevida à articulação e, em muitos casos, adiar a necessidade de procedimentos mais invasivos, como a prótese de joelho.
Estudos clínicos confirmam que o ácido hialurônico de alto peso molecular apresenta eficácia superior no controle da dor e melhoria funcional em comparação ao placebo. Você pode conferir os dados detalhados nesta revisão sistemática sobre a eficácia da viscossuplementação.
O que é o Plasma Rico em Plaquetas (PRP)?
O PRP segue uma lógica biológica diferente. Não estamos colocando um gel lubrificante, mas sim estimulando o corpo a trabalhar.
O procedimento começa com a coleta do seu próprio sangue, que passa por uma centrifugação para concentrar as plaquetas. Esse concentrado é injetado no local da lesão.
Mecanismo de ação
As plaquetas são reservatórios de fatores de crescimento. Quando ativadas, elas liberam sinais químicos que recrutam células reparadoras. O foco do PRP é a modulação da inflamação e o estímulo à regeneração de tecidos. Pesquisas publicadas em revistas de alto impacto demonstram que o PRP pode reduzir significativamente os níveis de citocinas inflamatórias no ambiente intra articular. Veja mais neste estudo sobre o mecanismo anti inflamatório do PRP.
Para quem eu indico?
O uso do PRP é muito interessante em lesões de tecidos moles. Pacientes que apresentam lesão de menisco ou tendinopatias crônicas, como a tendinite, costumam responder bem a esse estímulo biológico.
Comparativo direto: Ácido Hialurônico vs. PRP
Para facilitar a sua compreensão, separei os pontos principais que diferenciam as duas técnicas.
Objetivo principal
- Ácido Hialurônico: lubrificação e proteção mecânica. Fundamental para quem sofre com osteoartrite.
- PRP: estímulo biológico e cicatrização. Muito utilizado em atletas para acelerar a recuperação de tecidos.
Duração dos efeitos
- Ácido Hialurônico: varia de 6 a 12 meses.
- PRP: pode apresentar efeitos mais duradouros. Uma importante meta análise do American Journal of Sports Medicine comparou as duas técnicas e sugeriu que, embora o ácido hialurônico funcione mais rápido, o PRP tende a oferecer um alívio de dor mais sustentado a longo prazo em casos de artrose inicial.
É possível combinar os dois tratamentos?
Sim. Em casos selecionados, a combinação pode oferecer o melhor dos dois mundos.
Utilizamos o ácido hialurônico para restaurar a lubrificação imediata e o PRP para combater a inflamação crônica. Essa abordagem híbrida pode ser excelente para pacientes ativos que desejam manter a prática esportiva e evitar que o quadro evolua para uma condromalácia patelar mais severa.
Vale lembrar que nenhuma infiltração faz milagres isoladamente. O impacto da obesidade na saúde das articulações é um fator determinante. O excesso de carga mecânica pode reduzir a duração do efeito de qualquer infiltração. Portanto, o controle de peso deve caminhar junto com o tratamento ortobiológico.
A decisão final
Não existe um vencedor absoluto. A escolha depende do diagnóstico anatômico.
Se o problema é falta de lubrificação e desgaste mecânico, a viscossuplementação tende a ser a primeira escolha. Se o quadro envolve inflamação de tendões ou necessidade de reparo tecidual, o PRP ganha destaque.
Caso você ainda tenha dúvidas sobre a gravidade do seu caso, recomendo a leitura sobre quando a dor no joelho precisa de atenção médica. A avaliação presencial é insubstituível para definirmos a estratégia que trará qualidade de vida para você.
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