Você sente uma pontada ou queimação, e vem a dor na parte interna do joelho, logo abaixo da linha da articulação. A dor piora ao subir escadas, levantar da cadeira ou até mesmo ao dormir de lado, quando um joelho encosta no outro. O primeiro pensamento lógico é quase sempre o mesmo: rompi o menisco.
Embora a preocupação faça sentido, nem toda dor nessa região indica uma lesão cirúrgica dentro da articulação. Existe uma condição muito frequente, mas pouco conhecida pelos pacientes, chamada Bursite da Pata de Ganso ou Tendinite da Pata de Ganso (Anserina).
O diagnóstico correto é fundamental, pois o tratamento para essa inflamação é completamente diferente do tratamento para um menisco rompido.
O que é a Pata de Ganso?
O nome curioso vem da anatomia. Na parte interna da perna, logo abaixo do joelho, três tendões (sartório, grácil e semitendíneo) se unem para se fixar na tíbia. O formato dessa junção lembra a membrana da pata de um ganso.
Entre esses tendões e o osso, existe uma pequena bolsa cheia de líquido chamada bursa. A função dela é reduzir o atrito e fazer os tendões deslizarem suavemente. Quando há sobrecarga excessiva, atrito constante ou trauma direto, essa bursa inflama. O resultado é dor local, inchaço e sensibilidade ao toque.
Como diferenciar da lesão de menisco?
A confusão acontece pela proximidade, mas existem sinais claros que nos ajudam a distinguir as duas condições.
A dor da lesão no menisco geralmente é profunda, localizada dentro do joelho, e costuma vir acompanhada de travamentos, estalos ou sensação de instabilidade.
Já na bursite da pata de ganso, a dor é mais superficial e localizada cerca de dois a três dedos abaixo da linha da articulação. O paciente consegue apontar exatamente onde dói com um dedo. Além disso, raramente há bloqueio mecânico do movimento. A queixa principal é uma queimação constante que pode irradiar para a perna.
Principais causas e fatores de risco
Essa inflamação não surge do nada. Ela é quase sempre um sinal de que algo na sua mecânica ou na sua rotina precisa de ajuste. Os fatores mais associados são:
1. Sobrecarga e Obesidade
O excesso de peso aumenta a pressão sobre a parte interna do joelho, forçando os tendões a trabalharem dobrado para estabilizar a perna. O impacto da obesidade na saúde das articulações é um dos maiores gatilhos para essa bursite.
2. Artrose do Joelho
Pacientes que já possuem desgaste na cartilagem medial costumam desenvolver essa bursite de forma secundária. A alteração no eixo da perna causada pela artrose do joelho tenciona os tendões da pata de ganso, gerando a inflamação.
3. Falta de alongamento
A retração (encurtamento) dos músculos posteriores da coxa puxa os tendões com força excessiva em cada passo, irritando a bursa.
4. Diabetes
Pacientes diabéticos têm uma predisposição maior a processos inflamatórios em tendões e bursas.
Como é o tratamento?
A excelente notícia é que a bursite da pata de ganso tem tratamento conservador e altíssimas taxas de cura sem cirurgia.
A primeira linha de ação envolve repouso relativo (evitar escadas e longas caminhadas), aplicação de gelo local e fisioterapia focada em analgesia e alongamento da cadeia posterior.
Se a dor for muito intensa ou persistente, realizo uma infiltração no consultório. Utilizo o ultrassom para guiar uma agulha fina exatamente dentro da bursa inflamada, depositando uma medicação anti inflamatória potente. O alívio costuma ser rápido e duradouro, permitindo que o paciente retome a fisioterapia com conforto.
Não ignore a dor
Sentir dor na parte interna do joelho não significa necessariamente que você precisará operar o menisco. Pode ser apenas uma inflamação de tecidos moles que resolveremos com o tratamento correto.
O importante é não se autodiagnosticar e não deixar a inflamação se tornar crônica. Agende uma avaliação para identificarmos a causa exata do seu desconforto e iniciarmos a recuperação.