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Edema ósseo no joelho: por que dói tanto e como tratar sem cirurgia?

Muitos pacientes chegam ao consultório com o laudo da ressonância magnética nas mãos e uma expressão de preocupação. Lá está escrito: edema ósseo. A palavra assusta. A sensação imediata é de que o osso está inchado ou que existe algo grave acontecendo lá dentro.

A dor dessa condição costuma ser intensa, contínua e, muitas vezes, não responde bem aos analgésicos comuns. O paciente sente o joelho latejar, principalmente à noite ou após colocar carga sobre a perna.

Neste artigo, vou desmistificar esse termo técnico. Vou explicar o que realmente está acontecendo dentro do seu osso e, o mais importante, como tratamos isso de forma moderna para evitar que o problema evolua para uma fratura completa.

O que é o edema ósseo?

Imagine que você bateu a perna e ficou roxo. Esse hematoma é um acúmulo de sangue e líquido nos tecidos moles. O edema ósseo é, basicamente, um hematoma dentro do osso.

O osso não é uma estrutura maciça e seca como uma pedra. Por dentro, ele é esponjoso, o que chamamos de osso trabecular, e muito vascularizado. Quando esse osso sofre uma sobrecarga mecânica maior do que ele consegue suportar, as micro trabéculas se quebram. O corpo reage enviando células inflamatórias e líquido para o local.

O problema é que o osso tem uma casca dura e não estica. Quando o líquido se acumula lá dentro, a pressão interna aumenta drasticamente. É essa pressão intra óssea que comprime as terminações nervosas e causa a dor aguda e persistente que você sente.

Causas principais: do atleta ao idoso

Existem dois perfis principais de pacientes que desenvolvem essa condição, e os motivos são diferentes.

1. O atleta (sobrecarga) 

Corredores e praticantes de esportes de impacto frequentemente sofrem microtraumas de repetição. Quando o volume de treino aumenta muito rápido e o descanso é insuficiente, o osso entra em fadiga. Se não tratado, esse edema pode evoluir para o que chamamos de fraturas por estresse no joelho

2. O paciente com artrose (insuficiência) 

Em pessoas acima dos 50 ou 60 anos, o edema geralmente está associado à osteoartrite do joelho. A cartilagem gasta deixa de proteger o osso subcondral, que é o osso logo abaixo dela. Esse osso fica exposto a impactos para os quais não está preparado e inflama. Chamamos isso de fratura por insuficiência.

O tratamento não cirúrgico funciona?

Sim, e é a primeira escolha. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão dentro do osso e estimular a calcificação das micro fraturas.

Retirada de carga 

Pode parecer antiquado, mas é fundamental. Se o osso está machucado pelo impacto, precisamos tirar o impacto. O uso de muletas por 2 a 4 semanas é muitas vezes necessário para dar ao corpo o tempo biológico de reparo. Continuar pisando com dor prolonga o tratamento por meses.

Terapia por ondas de choque

Esta é uma das ferramentas mais poderosas que temos hoje. A terapia por ondas de choque extracorpórea emite ondas acústicas de alta energia que penetram no osso.

O mecanismo é biológico: as ondas estimulam a angiogênese, que é a formação de novos vasos sanguíneos, e a atividade dos osteoblastos, as células que fabricam osso novo. Isso acelera a troca metabólica, drena o edema e consolida a região fragilizada.

A eficácia dessa abordagem é validada pela literatura médica. Um estudo publicado no Journal of Physical Therapy Science demonstrou que a terapia por ondas de choque é eficaz no tratamento da síndrome de edema da medula óssea do joelho, reduzindo a dor significativamente em comparação ao tratamento conservador padrão. Você pode conferir os dados deste estudo sobre ondas de choque para edema ósseo aqui.

Medicina Regenerativa

Em casos refratários, onde o corpo tem dificuldade de cicatrizar sozinho, podemos utilizar injeções de concentrado de medula óssea (BMAC). Injetamos células do próprio paciente no local para sinalizar uma regeneração mais potente.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia, chamada de Subcondroplastia, fica reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador após alguns meses. Nela, injetamos um substituto ósseo, uma espécie de pasta de cálcio, dentro do edema para preencher as falhas e dar sustentação imediata à estrutura.

O edema ósseo é um aviso do seu corpo de que a estrutura está no limite. Ignorar esse sinal e continuar treinando ou caminhando com dor pode transformar uma lesão reversível em uma fratura completa ou em um colapso ósseo que exigirá uma prótese.

O diagnóstico precoce através da ressonância magnética e a intervenção rápida mudam completamente o prognóstico. Se você tem essa dor persistente, agende sua consulta para iniciarmos o protocolo de recuperação óssea.