Muitos pacientes chegam ao meu consultório com uma queixa desgastante: a dor no joelho não passa, mesmo após meses de fisioterapia, medicações e infiltrações, e perguntam sobre o bloqueio do nervos geniculares. Em outros casos, a dor persiste mesmo após uma cirurgia de prótese que tecnicamente foi um sucesso.
Quando as opções conservadoras falham e a cirurgia não é indicada (ou o paciente não pode realizá-la), temos um recurso valioso e moderno na medicina da dor: o Bloqueio dos Nervos Geniculares e a Radiofrequência (Rizotomia).
Neste artigo, detalho como essa técnica funciona. É uma alternativa segura para devolver o bem-estar a quem convive com o sofrimento crônico.
O que são os nervos geniculares?
Para entender o procedimento, precisamos entender a anatomia da dor. O joelho é cercado por pequenos ramos nervosos chamados nervos geniculares. A função principal deles é transmitir os sinais sensitivos da articulação para o cérebro.
Em um joelho com artrose avançada, esses nervos estão constantemente enviando alertas de dor devido à inflamação e ao desgaste mecânico.
A técnica de bloqueio consiste, basicamente, em desligar ou amortecer esses transmissores. Se o sinal de dor não chega ao cérebro, o paciente sente alívio, mesmo que o desgaste ósseo ainda esteja lá.
Como o procedimento é realizado?
O tratamento completo geralmente ocorre em duas fases distintas para garantir a eficácia.
Fase 1: O bloqueio diagnóstico
Antes de realizarmos o procedimento definitivo, precisamos ter certeza de que a dor do paciente é realmente transmitida por esses nervos específicos.
No consultório ou centro cirúrgico, guiado por ultrassom ou radioscopia (raio-x em tempo real), injeto uma pequena quantidade de anestésico exatamente onde passam os nervos geniculares.
Se o paciente relatar um alívio significativo da dor nas horas seguintes (geralmente acima de 50%), confirmamos que ele é um excelente candidato para a fase terapêutica definitiva.
Fase 2: Ablação por radiofrequência (rizotomia)
Confirmada a resposta positiva no teste, partimos para a Radiofrequência.
Nesta etapa, utilizamos agulhas especiais conectadas a um gerador de radiofrequência. A ponta da agulha aquece de forma controlada e cria uma lesão térmica no nervo sensitivo.
Esse processo interrompe a capacidade do nervo de transmitir dor por um longo período. Não se trata de cortar o nervo, mas de modular a sua função através do calor. O procedimento é minimamente invasivo, feito com sedação leve e anestesia local. Não há cortes, pontos ou necessidade de internação hospitalar.
Para quem este tratamento é indicado?
A seleção do paciente é o fator mais importante para o sucesso. Eu indico o bloqueio e a radiofrequência principalmente em três situações:
- 1. Artrose avançada sem indicação cirúrgica: pacientes idosos ou com problemas de saúde que tornam a cirurgia de prótese de joelho muito arriscada. Para este grupo, o bloqueio devolve a mobilidade e reduz a necessidade de analgésicos fortes.
- 2. Dor residual pós-cirúrgica: alguns pacientes continuam sentindo dor mesmo após a colocação da prótese, embora os exames mostrem que o implante está perfeito. Isso ocorre muitas vezes por uma sensibilização dos nervos periféricos. A rizotomia é extremamente eficaz nesses casos.
- 3. Pacientes que querem adiar a cirurgia: pessoas que, por motivos pessoais ou profissionais, precisam ganhar tempo e qualidade de vida antes de se submeterem a uma artroplastia total.
Os resultados clínicos são muito consistentes. O alívio da dor costuma durar de 6 meses a até 2 anos, dependendo da regeneração nervosa de cada indivíduo. Quando a dor retorna, o procedimento pode ser repetido.
Um estudo clínico randomizado, publicado no renomado Pain Physician, demonstrou que a radiofrequência dos nervos geniculares proporcionou alívio significativo da dor e melhora funcional em pacientes com osteoartrite grave, superando os resultados do tratamento convencional com medicamentos.
Recuperação e pós-procedimento
A recuperação é rápida. Como não há incisões, o paciente sai caminhando do hospital no mesmo dia. Pode haver um leve desconforto no local das agulhas por 24 horas, facilmente controlado com gelo.
A fisioterapia é liberada e incentivada logo em seguida, pois com menos dor, o paciente consegue fortalecer a musculatura, o que protege ainda mais a articulação.
Uma nova perspectiva para a dor crônica
Conviver com dor diária não é normal e não deve ser aceito como sentença. Se você já tentou diversos tratamentos sem sucesso, a tecnologia médica atual oferece essa alternativa segura e eficiente.
Eu convido você a agendar uma consulta para avaliarmos se o bloqueio dos nervos geniculares é indicado para o seu caso. Vamos trabalhar para devolver o seu conforto e sua mobilidade.