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Prótese de joelho: posso ajoelhar? Posso correr? Mitos e limites da artroplastia

A decisão de realizar uma artroplastia total, popularmente conhecida como cirurgia de prótese no joelho, costuma vir acompanhada de um misto de esperança e medo. O paciente deseja se livrar da dor crônica, mas teme perder sua autonomia ou ficar limitado para sempre.

Recebo muitas perguntas no consultório que não estão nos livros técnicos, mas que definem a rotina de quem opera. São dúvidas sobre ajoelhar na igreja, brincar com os netos ou voltar a praticar o esporte favorito.

Neste artigo, reuni as respostas para as dúvidas mais comuns e práticas sobre a vida após a cirurgia. O objetivo é alinhar suas expectativas e mostrar que a prótese existe para devolver funções, não para retirá-las.

1. Eu vou conseguir ajoelhar novamente?

Esta é talvez a pergunta mais frequente. A resposta curta é: sim, a mecânica da prótese permite o movimento de ajoelhar.

No entanto, existe uma diferença entre poder e conseguir com conforto. A maioria dos pacientes consegue fisicamente realizar o movimento, mas muitos evitam fazê-lo por causa da sensibilidade na cicatriz ou uma sensação estranha de pressão na frente do joelho.

Não há risco de estragar o implante ao se ajoelhar. O desconforto é nos tecidos moles, não no metal. Minha recomendação é que você utilize uma proteção, como uma almofada ou joelheira macia, para reduzir o contato direto da cicatriz com o solo rígido.

2. Posso voltar a correr?

Aqui precisamos ser muito transparentes. Embora a dor desapareça e você se sinta capaz, a corrida de longa distância ou de alta intensidade não é recomendada para quem tem prótese.

A prótese possui um componente de polietileno, um plástico de alta resistência que fica entre as partes metálicas. Atividades de alto impacto repetitivo, como correr maratonas, aceleram o desgaste desse plástico e podem levar à soltura precoce do implante.

Isso não significa sedentarismo. Caminhadas vigorosas, esteira em ritmo moderado, natação, ciclismo e até esportes como golfe ou tênis em duplas são totalmente permitidos e incentivados.

Para entender melhor o perfil de paciente ideal para este procedimento, sugiro a leitura do artigo sobre quando a prótese de joelho é indicada.

3. Em quanto tempo posso voltar a dirigir?

A autonomia no trânsito é fundamental para a maioria dos adultos. O retorno à direção depende de qual perna foi operada e do tipo de carro (automático ou manual).

Em geral, o paciente precisa recuperar o tempo de reflexo para frear bruscamente em uma emergência sem sentir dor aguda. Isso costuma levar entre 4 a 6 semanas. Detalhei todos os prazos e testes que fazemos neste artigo específico sobre quando voltar a dirigir após a cirurgia do joelho.

4. A prótese dura para sempre?

Antigamente, dizia-se que uma prótese durava 10 anos. Hoje, com a evolução dos materiais e das técnicas cirúrgicas, os números são muito mais animadores.

Um estudo histórico publicado na revista The Lancet, uma das mais respeitadas do mundo, analisou dados de milhares de pacientes por 25 anos. A conclusão foi que aproximadamente 82% das próteses totais de joelho ainda funcionam perfeitamente após duas décadas e meia.

Isso significa que, para a grande maioria dos pacientes, a prótese será definitiva. Você pode conferir os dados desta pesquisa sobre a durabilidade das próteses aqui.

5. Vou precisar de muita fisioterapia?

Sim, e ela é a chave do sucesso. A cirurgia coloca a peça no lugar, mas é a reabilitação que ensina seu corpo a usá-la.

O paciente que se dedica aos exercícios ganha amplitude de movimento mais rápido e sofre menos com inchaços. Ignorar essa etapa pode deixar o joelho rígido, uma complicação difícil de reverter. Saiba mais sobre como a fisioterapia acelera a recuperação.

Vida normal, sem dor

O conceito de normalidade muda após a cirurgia de prótese de joelho, mas muda para melhor. Trocar a limitação de uma artrose severa por um joelho estável, que permite caminhar no parque, viajar e brincar com a família, é uma troca que vale a pena.

Se você tem artrose avançada e ainda tem dúvidas se a cirurgia é para você, venha conversar. Vamos avaliar seu caso individualmente e esclarecer todos os seus receios.