Artigos Archives - Dr. Fernando Umada https://fernandoumada.com.br/category/artigos/ Wed, 15 Jul 2026 13:45:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://fernandoumada.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cropped-LOGO-3_1-32x32.png Artigos Archives - Dr. Fernando Umada https://fernandoumada.com.br/category/artigos/ 32 32 Viscossuplementação no joelho: como o ácido hialurônico é usado para tratar a artrose sem cirurgia https://fernandoumada.com.br/viscossuplementacao/ https://fernandoumada.com.br/viscossuplementacao/#respond Mon, 27 Jul 2026 13:44:06 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2179 A consulta segue um roteiro que conheço bem. O paciente chega com a ressonância na mão, o ortopedista anterior disse que a cartilagem está “bem desgastada”, e a cirurgia foi mencionada como possibilidade. Mas o joelho ainda tem estrutura, não chegou ao grau em que a prótese é inevitável. É nesse intervalo, que pode durar […]

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A consulta segue um roteiro que conheço bem. O paciente chega com a ressonância na mão, o ortopedista anterior disse que a cartilagem está “bem desgastada”, e a cirurgia foi mencionada como possibilidade. Mas o joelho ainda tem estrutura, não chegou ao grau em que a prótese é inevitável. É nesse intervalo, que pode durar anos, que a viscossuplementação cumpre seu papel.

É um dos procedimentos que mais realizo no consultório, e também um dos mais mal compreendidos. Parte dos pacientes acha que é uma injeção de corticoide. Outra parte confunde com o PRP. Não é nenhum dos dois. Entender o que é a viscossuplementação, como ela age e para quem ela realmente funciona é o que este artigo explica.

O que é o líquido sinovial e por que ele importa

Dentro de toda articulação saudável existe o líquido sinovial, um fluido produzido pela membrana que reveste o joelho por dentro. Esse líquido cumpre duas funções principais: lubrificar as superfícies articulares durante o movimento e nutrir a cartilagem, que não tem vasos sanguíneos próprios.

O principal responsável pela viscosidade e pela capacidade lubrificante desse líquido é o ácido hialurônico. Numa articulação jovem e saudável, a concentração de ácido hialurônico é alta e as cadeias moleculares são longas, o que garante que o líquido tenha a consistência certa para absorver impacto e reduzir atrito. 

Na artrose, esse equilíbrio se rompe: a concentração cai, as cadeias se fragmentam, e o líquido perde suas propriedades mecânicas. O joelho passa a trabalhar com um lubrificante degradado, como um motor rodando com óleo velho e diluído.

A viscossuplementação é a reposição desse ácido hialurônico por injeção direta dentro da articulação.

Como o procedimento é feito

O ácido hialurônico utilizado na viscossuplementação é produzido em laboratório, tecnicamente idêntico ao produzido pelo próprio corpo, mas com concentração e peso molecular controlados. Dependendo do produto escolhido, o protocolo pode variar de uma aplicação única a um ciclo de três aplicações semanais consecutivas.

Realizo o procedimento com guia de ultrassom em tempo real. A imagem permite visualizar a articulação, confirmar a presença de líquido sinovial e depositar o ácido hialurônico com precisão milimétrica no espaço intra-articular. Isso não é um detalhe técnico menor: infiltrar sem guia de imagem em um joelho com desgaste avançado e anatomia alterada aumenta o risco de depositar o material fora do local correto, comprometendo o resultado. O medo do procedimento é compreensível, mas a tolerabilidade com anestesia local é muito boa — explico isso em detalhes no artigo sobre infiltração no joelho.

O tempo total no consultório, incluindo a preparação, raramente passa de 30 minutos. O paciente sai andando e retoma as atividades leves no mesmo dia.

Para quem a viscossuplementação é indicada

A indicação principal é a artrose de joelho nos graus I a III, quando ainda há cartilagem remanescente suficiente para se beneficiar do ambiente lubrificado que o ácido hialurônico proporciona. No grau IV, com exposição óssea total, o procedimento tem eficácia limitada porque não há base cartilaginosa para preservar.

Também indico em casos de edema ósseo associado à artrose inicial, em pacientes com síndrome da dor femoropatelar e em situações em que o joelho perdeu o líquido sinovial por aspiração prévia ou por processo inflamatório crônico.

Há contraindicações. Infecção ativa no joelho ou na pele ao redor, alergia conhecida ao ácido hialurônico e derrame articular volumoso não drenado são situações em que não realizo o procedimento sem a devida preparação. Em casos de derrame intenso, dreno o líquido primeiro, pois essa etapa de punção antes da infiltração melhora a absorção e a eficácia do ácido hialurônico injetado.

O que esperar dos resultados e quando eles aparecem

Esse é o ponto que mais gera frustração quando não é bem explicado antes do procedimento. A viscossuplementação não age como um analgésico e não alivia a dor em 24 horas. O efeito se desenvolve de forma gradual nas primeiras duas a quatro semanas após a aplicação, à medida que o ácido hialurônico se integra ao líquido sinovial e o ambiente intra-articular melhora.

Os estudos mostram que os melhores resultados costumam aparecer entre o primeiro e o terceiro mês após a aplicação. Uma revisão sistemática publicada no Osteoarthritis and Cartilage analisou dados de 89 ensaios clínicos randomizados e concluiu que a viscossuplementação produz redução significativa de dor e melhora da função articular em pacientes com artrose de joelho, com perfil de segurança superior ao do corticoide em uso repetido.

A duração do efeito varia entre seis meses e um ano, dependendo do produto utilizado, do grau de artrose e do perfil do paciente. Peso corporal, nível de atividade física e a presença de fortalecimento muscular adequado, especialmente de quadríceps e glúteo médio, influenciam diretamente a durabilidade do resultado.

Viscossuplementação, corticoide e PRP: qual a diferença na prática

O corticoide age de forma mais rápida sobre a inflamação, mas tem efeito condrotóxico em aplicações repetidas e pode acelerar o desgaste da cartilagem quando usado cronicamente. Reservo o corticoide intra-articular para fases agudas de inflamação intensa, como pré-requisito antes de iniciar a viscossuplementação.

O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) tem mecanismo diferente: atua modulando o ambiente inflamatório e estimulando reparação tecidual. Tem efeito mais pronunciado nos casos com componente inflamatório mais ativo e em pacientes mais jovens com artrose inicial. Em alguns casos, combino os dois — viscossuplementação para restaurar a lubrificação e PRP para modular a inflamação, dependendo do quadro clínico.

A viscossuplementação é, em geral, a primeira linha dentro dos ortobiológicos pela menor complexidade do protocolo, pelo custo comparativamente mais acessível e pela evidência consolidada ao longo de décadas de uso clínico.

O que potencializa o resultado

O ácido hialurônico não trabalha bem sozinho quando o resto da articulação está em desordem. Três fatores determinam se o resultado vai se sustentar ou durar apenas algumas semanas.

O primeiro é o fortalecimento muscular. Quadríceps e glúteo médio fracos transferem carga diretamente para a cartilagem a cada passo. Sem fisioterapia estruturada, o procedimento alivia a dor temporariamente, mas a mecânica que gerou o desgaste continua intacta. O artigo sobre exercícios seguros para artrose no joelho detalha o que pode ser feito em paralelo ao tratamento.

O segundo é o controle de peso. Cada quilo acima do adequado representa quatro quilos extras de pressão sobre o joelho durante a marcha. O ácido hialurônico melhora a lubrificação, mas não neutraliza sobrecarga mecânica.

O terceiro é o acompanhamento clínico. A viscossuplementação não é um procedimento único e definitivo, mas parte de um protocolo de preservação articular que pode incluir ciclos repetidos, ajuste do produto utilizado e combinação com outras terapias biológicas conforme a evolução do quadro.

Busque ajuda especializada

Se você tem artrose diagnosticada, ou dor no joelho que não encontrou resposta adequada nos tratamentos anteriores, uma avaliação presencial com exames em mãos permite definir se a viscossuplementação é a indicação correta para o seu estágio e perfil clínico.

Agende uma consulta pelo WhatsApp. Com o diagnóstico completo em mãos, consigo indicar com precisão se a viscossuplementação é o próximo passo ou se outro tratamento da nossa linha de ortopedia regenerativa se encaixa melhor no seu caso.

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Joelho inchado sem trauma: o que pode ser e quando procurar um especialista https://fernandoumada.com.br/joelho-inchado/ https://fernandoumada.com.br/joelho-inchado/#respond Mon, 13 Jul 2026 13:38:32 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2176 O paciente acorda com o joelho inchado. Não caiu, não se machucou e não forçou nada incomum no dia anterior. O joelho simplesmente inchou, às vezes de um dia para o outro, às vezes de forma progressiva ao longo de semanas. E sem uma causa aparente para explicar, a sensação é de desorientação: o que […]

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O paciente acorda com o joelho inchado. Não caiu, não se machucou e não forçou nada incomum no dia anterior. O joelho simplesmente inchou, às vezes de um dia para o outro, às vezes de forma progressiva ao longo de semanas. E sem uma causa aparente para explicar, a sensação é de desorientação: o que está acontecendo lá dentro?

Esse é um dos motivos de consulta mais frequentes no consultório de ortopedia, e também um dos mais subestimados. O inchaço sem trauma não é um sintoma genérico, é um dado clínico preciso que, quando bem lido, já aponta para um grupo restrito de causas possíveis. 

Algumas são simples e resolvem com tratamento conservador. Outras sinalizam uma condição que vai piorar se ignorada.

Por que o joelho incha

O inchaço no joelho tem dois mecanismos distintos, e diferenciá-los já orienta o diagnóstico.

O primeiro é o derrame articular, acúmulo de líquido dentro da articulação, entre as superfícies cartilaginosas. Esse líquido pode ser líquido sinovial em excesso (produzido pela membrana inflamada), sangue (hemartrose, mais comum após trauma ou em distúrbios de coagulação) ou pus (em casos de infecção). O joelho fica globoso, com a pele esticada ao redor da rótula, e o sinal da tecla patelar, que consiste em apertar a rótula como se fosse um botão, fica positivo.

O segundo mecanismo é o edema periarticular, inchaço dos tecidos ao redor da articulação, sem acúmulo de líquido dentro dela. É o que acontece nas bursites, nas inflamações de tendões e em processos inflamatórios sistêmicos que atingem os tecidos moles ao redor do joelho.

Identificar qual dos dois está presente muda completamente o raciocínio diagnóstico e o tratamento.

As causas mais comuns de joelho inchado sem trauma

Artrose com inflamação sinovial

É a causa que mais vejo em pacientes acima de 50 anos. A artrose do joelho não causa dor constante em todos os estágios, há pacientes com grau III de desgaste que passam períodos sem dor significativa. Mas quando a sinovite se instala, inflamação da membrana sinovial por conta dos fragmentos de cartilagem degradada que se desprendem, o joelho produz líquido em excesso e incha sem nenhum trauma externo. O paciente muitas vezes não sabe que tem artrose e descobre na primeira ressonância solicitada para investigar o inchaço.

Bursite

As bursas são bolsas de líquido sinovial que se distribuem ao redor do joelho para reduzir o atrito entre tendões e ossos. Quando inflamam, por pressão repetitiva, sobrecarga ou doença reumática, podem gerar inchaço localizado e bem definido. 

A mais conhecida é a bursite pré-patelar, que aparece como uma bolsa macia na frente da rótula, e a bursite anserina, que gera dor e inchaço na face interna do joelho logo abaixo da linha articular. O cisto de Baker, acúmulo de líquido na parte posterior do joelho, também é uma forma de bursite secundária, geralmente alimentada por derrame intra-articular de outra causa.

Lesão degenerativa de menisco

O menisco não precisa de uma torção violenta para se lesar. Em pacientes acima de 45 anos, a degeneração progressiva do tecido meniscal pode gerar fissuras espontâneas que causam sinovite reativa e derrame articular sem queda, sem entorse, sem episódio de trauma definido. 

A lesão de menisco degenerativa é muitas vezes descoberta numa ressonância pedida para investigar o inchaço persistente que não tem outra explicação aparente.

Gota e pseudogota

Duas condições metabólicas que têm o joelho como alvo frequente. Na gota, cristais de urato monossódico se depositam na articulação e desencadeiam uma crise inflamatória aguda, com inchaço intenso, dor severa, calor e vermelhidão que aparecem em horas. A pseudogota segue mecanismo semelhante, mas com cristais de pirofosfato de cálcio. 

Ambas ocorrem sem trauma e se confundem com infecção articular na apresentação aguda. O diagnóstico é feito pela análise do líquido sinovial obtido por punção, e o histórico de crises anteriores e a dosagem de ácido úrico no sangue completam a avaliação.

Artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias

Quando o inchaço é bilateral, simétrico e acompanhado de rigidez matinal prolongada, mais de uma hora para “desaquecer”, as doenças inflamatórias sistêmicas precisam entrar no diagnóstico diferencial. 

A artrite reumatoide, o lúpus e as espondiloartropatias podem se manifestar inicialmente como sinovite no joelho antes de qualquer outro sinal sistêmico. Nesses casos, o encaminhamento ao reumatologista é parte do plano de cuidado.

Edema ósseo

O edema ósseo é visível apenas na ressonância magnética, não é detectável pela radiografia, e representa um acúmulo de fluido dentro do osso subcondral por microlesões de sobrecarga ou por alteração vascular local. 

Pode causar inchaço articular difuso e dor intensa desproporcional ao que a radiografia mostra, o que frequentemente desorenta pacientes que ouvem “o raio-x está quase normal” mas continuam com dor e inchaço significativos.

Quando o inchaço pede avaliação urgente

Há situações em que o joelho inchado não pode esperar dias para ser avaliado.

Inchaço com febre, calor intenso localizado e dor desproporcional podem indicar artrite séptica, infecção bacteriana dentro da articulação. É uma emergência ortopédica: sem drenagem e antibiótico em tempo adequado, a cartilagem é destruída em horas a dias.

Inchaço rápido após qualquer procedimento no joelho, seja cirurgia, infiltração ou punção, também exige reavaliação imediata.

Inchaço volumoso de instalação súbita em paciente jovem, mesmo sem trauma claro, pode indicar hemartrose por ruptura de estrutura interna que não gerou dor suficiente.

Como o diagnóstico é feito

No consultório, o exame físico permite estimar se o inchaço é intra ou periarticular. Pode ainda quantificar o volume de líquido por palpação, identificar estruturas dolorosas ao toque e avaliar a mobilidade do joelho. 

O ultrassom, que utilizo como extensão do exame clínico, confirma a presença e o volume do derrame, identifica bursas inflamadas e permite orientar procedimentos de punção com precisão.

Solicitamos a ressonância magnética quando o exame clínico aponta para lesão de cartilagem, menisco ou ligamento como causa do derrame. A radiografia em carga avalia o grau de artrose e o espaço articular. Hemograma, VHS, PCR e ácido úrico compõem o painel laboratorial inicial quando há suspeita de causa inflamatória ou metabólica.

Quando indico a punção do líquido sinovial para análise, o que faço sob guia de ultrassom, o resultado diferencia com precisão cristais de urato, bactérias e células inflamatórias, encurtando significativamente o caminho até o diagnóstico correto.

Sobre a dor no joelho que não tem causa definida nos exames iniciais, o artigo dor no joelho ao dobrar e esticar a perna amplia o raciocínio diagnóstico para outros cenários frequentes no consultório.

Você não precisa viver com dor

O joelho inchado sem trauma tem resposta. O que define se o tratamento vai funcionar é partir do diagnóstico certo, não de um tratamento empírico com anti-inflamatório que alivia temporariamente sem resolver o que está causando o inchaço.

Tem o joelho inchado sem saber por quê? Agende uma avaliação pelo WhatsApp. Com exame físico, ultrassom e a solicitação dos exames adequados ao seu caso, chegamos ao diagnóstico com agilidade e ao tratamento correto na sequência.

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Reconstrução do LCA: como é a cirurgia, quais são os enxertos e o que esperar da recuperação https://fernandoumada.com.br/reconstrucao-do-lca/ https://fernandoumada.com.br/reconstrucao-do-lca/#respond Mon, 22 Jun 2026 13:24:54 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2171 O joelho cedeu num movimento que o atleta nem consegue descrever direito. Um pivô, uma mudança de direção, às vezes nem isso, às vezes foi uma desaceleração simples. O estalo foi imediato. O joelho inchou em minutos. E a ressonância, alguns dias depois, confirmou o que o exame clínico já sugeria: ruptura completa do ligamento […]

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O joelho cedeu num movimento que o atleta nem consegue descrever direito. Um pivô, uma mudança de direção, às vezes nem isso, às vezes foi uma desaceleração simples. O estalo foi imediato. O joelho inchou em minutos. E a ressonância, alguns dias depois, confirmou o que o exame clínico já sugeria: ruptura completa do ligamento cruzado anterior.

A partir daí, começa uma série de perguntas que chegam ao meu consultório em sequência: precisa operar? Quando? Qual enxerto é melhor? Vou poder voltar a jogar? Quanto tempo de recuperação? Esse artigo responde a cada uma delas com a objetividade que um paciente nessa situação merece.

Por que o LCA não cicatriza sozinho

O ligamento cruzado anterior conecta o fêmur à tíbia no interior da articulação, controlando a translação anterior da tíbia e a rotação do joelho. Quando ele se rompe, o problema não é apenas a dor ou o inchaço imediato, é a instabilidade residual que persiste depois que o processo inflamatório agudo cede.

Diferentemente de outros tecidos, o LCA tem capacidade de cicatrização muito limitada. Ele fica imerso no líquido sinovial da articulação, que dissolve o coágulo que seria necessário para iniciar a reparação tecidual. 

Na prática, isso significa que um LCA rompido não se regenera por conta própria em pacientes ativos, ele precisa ser reconstruído cirurgicamente com tecido de outro local do próprio corpo do paciente.

Quem precisa de cirurgia e quem não precisa

Nem toda ruptura de LCA exige reconstrução imediata. A decisão depende de três fatores: o nível de atividade física do paciente, a presença de instabilidade funcional e as lesões associadas.

Para atletas, sejam amadores ou profissionais, que praticam esportes com pivô, corte e salto, como futebol, basquete, vôlei, Beach Tennis e Crossfit, a reconstrução é praticamente sempre indicada. 

Sem o LCA, o joelho instabiliza nessas situações e o risco de lesão secundária do menisco e da cartilagem cresce progressivamente a cada episódio.

Para pacientes mais sedentários, com atividade física de baixo impacto, a conduta pode ser conservadora, fisioterapia intensiva para compensar a ausência do ligamento com fortalecimento muscular. 

Essa decisão é sempre individualizada, e levo em conta não apenas o que o paciente faz hoje, mas o que pretende fazer depois que o joelho estiver tratado.

Como funciona a reconstrução do LCA

A cirurgia é realizada por artroscopia, um procedimento minimamente invasivo em que introduzo uma câmera e os instrumentos cirúrgicos por pequenas incisões no joelho, sem abrir a articulação. O LCA rompido não é recosturado: ele é removido e substituído por um enxerto de tendão que, ao longo dos meses seguintes, passará por um processo de ligamentização, transformando-se gradualmente em tecido ligamentar funcional.

Quais são os tipos de enxerto

O enxerto mais utilizado mundialmente é o de tendão dos isquiotibiais, grácil e semitendíneo, retirado da face posterior da coxa do próprio paciente. É o que a literatura científica aponta como preferência global para reconstrução primária do LCA por ter boa resistência mecânica, morbidade baixa no sítio doador e excelente integração biológica. A recuperação da região doadora é rápida na maioria dos pacientes.

O enxerto de tendão patelar, terço médio do próprio tendão patelar do paciente, tem resistência mecânica ligeiramente superior e integração óssea mais rápida, sendo preferido em alguns contextos, especialmente em atletas de alto rendimento e em revisões de cirurgia anterior. A desvantagem é a morbidade maior no sítio doador: dor anterior no joelho nas primeiras semanas é mais frequente com esse enxerto.

O enxerto do tendão do quadríceps ganhou espaço nos últimos anos como alternativa com boa resistência e menor impacto sobre a função dos isquiotibiais. É uma opção que avalio em casos específicos, como revisões ou pacientes em que preservar a integridade dos isquiotibiais é uma prioridade clínica.

A escolha do enxerto é feita caso a caso, levando em conta o perfil do paciente, o esporte que pratica, o histórico de cirurgias anteriores e as preferências técnicas baseadas em evidência. Não existe um enxerto universalmente superior, existe o enxerto correto para cada paciente.

Como é a recuperação fase por fase

A recuperação da reconstrução do LCA é uma das mais longas da ortopedia esportiva, e também uma das mais mal compreendidas. O prazo padrão citado é de nove a doze meses para retorno ao esporte de alta demanda. 

Esse número existe por uma razão biológica muito precisa: o enxerto passa por uma fase de ligamentização em que fica temporariamente mais frágil do que era antes de ser implantado, atingindo sua resistência máxima só por volta do sexto ao nono mês.

Fase 1 — primeiras seis semanas

O foco é recuperar a extensão completa do joelho, controlar o edema e reativar o quadríceps. Sem extensão plena nas primeiras semanas, o paciente desenvolve uma contratura que complica todo o restante da reabilitação. A fisioterapia começa logo nos primeiros dias pós-operatórios. Caminhada com carga progressiva é iniciada dentro da primeira semana.

Fase 2 — seis semanas a quatro meses

Progressão do fortalecimento do quadríceps, isquiotibiais e glúteos. Introdução de exercícios proprioceptivos e de equilíbrio. O paciente começa a correr em linha reta por volta do terceiro mês quando os critérios de força são atingidos. A literatura especializada destaca que chegar à cirurgia com extensão plena e quadríceps ativo — o que chamamos de pré-habilitação, acelera significativamente os marcos dessa fase.

Fase 3 — quatro a nove meses

Retorno progressivo às atividades esportivas com introdução de mudanças de direção, saltos e situações de jogo controlado. O critério de liberação para o retorno ao esporte não é o tempo, é a simetria de força entre o membro operado e o contralateral, medida por testes funcionais específicos. Liberar antes de atingir esses critérios é o principal fator de risco para uma nova ruptura, que ocorre em até 15% dos casos de retorno precoce.

O que acontece se não operar e continuar ativo

A instabilidade crônica do joelho sem LCA, em pacientes que continuam praticando esportes de pivô, tem um custo articular alto ao longo do tempo. Cada episódio de instabilidade, o joelho que cede durante uma jogada, é uma microlesão adicional no menisco e na cartilagem. 

Lesões de menisco e degeneração cartilaginosa precoce são consequências bem documentadas do LCA não tratado em pacientes ativos. A decisão de não operar em atletas jovens tem um preço articular que se paga mais tarde, geralmente na forma de uma artrose precoce do joelho.

Se você teve uma lesão de LCA confirmada ou suspeita, a avaliação especializada define o caminho. A janela ideal para a cirurgia, quando indicada, não é imediata: prefiro operar após a resolução do edema agudo e com o quadríceps reativado, o que usualmente acontece entre três e seis semanas após a lesão. Esse preparo pré-operatório faz diferença nos resultados finais.

Sofreu uma lesão de joelho e quer saber se é o LCA? Ou já tem o diagnóstico e quer entender se a cirurgia é a indicação correta para o seu caso? Agende uma avaliação pelo WhatsApp.

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Condromalácia patelar: a dor na frente do joelho que piora ao sentar por muito tempo https://fernandoumada.com.br/condromalacia-patelar/ https://fernandoumada.com.br/condromalacia-patelar/#respond Mon, 08 Jun 2026 13:24:33 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2168 A dor aparece quando o paciente senta no cinema e levanta na hora de sair. Ou quando sobe três lances de escada e sente a queimação se instalando logo atrás da rótula. Ou ainda quando agacha para pegar algo no chão e o joelho reclama.  Condromalácia patelar ou condropatia patelar, como também é chamada, é […]

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A dor aparece quando o paciente senta no cinema e levanta na hora de sair. Ou quando sobe três lances de escada e sente a queimação se instalando logo atrás da rótula. Ou ainda quando agacha para pegar algo no chão e o joelho reclama. 

Condromalácia patelar ou condropatia patelar, como também é chamada, é uma das causas mais comuns de dor anterior no joelho, especialmente em mulheres jovens, praticantes de atividade física e pessoas que passam muitas horas sentadas.

O que confunde o paciente é que a dor parece imprecisa. Não é num ponto exato, é uma sensação difusa na frente do joelho que piora em situações específicas e some com o repouso. Sem trauma, sem torção, sem inchaço evidente. 

E por isso muita gente demora para procurar avaliação, tratando por conta própria com anti-inflamatório e esperando que passe sozinha. Em boa parte dos casos, não passa.

O que é a condromalácia patelar e por que ela dói

A patela, popularmente chamada de rótula, desliza sobre o fêmur dentro de uma ranhura chamada tróclea femoral. Para que esse deslizamento ocorra com baixo atrito, a face posterior da rótula é revestida de cartilagem hialina, uma das mais espessas do corpo humano. 

A condromalácia patelar é o amolecimento progressivo dessa cartilagem, que passa por estágios que vão do amolecimento inicial (grau I) até a exposição completa do osso subcondral (grau IV).

A dor não vem diretamente da cartilagem, pois ela não tem terminações nervosas. Ela vem da inflamação sinovial ao redor da articulação femoropatelar e da pressão sobre o osso subcondral quando a cartilagem perde sua espessura e capacidade de absorção de impacto. 

É por isso que a dor é mais intensa nas situações que aumentam a pressão da rótula contra o fêmur: agachamento profundo, descida de escadas, posição sentada prolongada com o joelho fletido, o chamado sinal do cinema.

Quem desenvolve condromalácia patelar

A condição é significativamente mais comum em mulheres jovens, o que tem explicação anatômica e hormonal. O ângulo Q, formado entre o eixo do quadríceps e o tendão patelar, é maior nas mulheres por conta da largura pélvica. Esse ângulo maior aumenta a tração lateral da rótula durante os movimentos, pressionando a cartilagem de forma assimétrica contra a tróclea.

No consultório, identifico alguns perfis recorrentes. O primeiro é o da praticante de atividade física que aumentou a carga de treino sem o suporte muscular necessário, especialmente do vasto medial oblíquo, a porção do quadríceps que age como estabilizador medial da rótula. 

O segundo é o sedentário com trabalho em mesa, que passa horas com o joelho fletido em 90 graus e tem quadríceps atrofiado. O terceiro é o adolescente em fase de crescimento rápido, em que os tecidos moles ainda não acompanham as novas proporções do esqueleto. Nos três perfis, o mecanismo é o mesmo: desalinhamento da patela por desequilíbrio muscular ou biomecânico, com sobrecarga progressiva da cartilagem.

O impacto do sobrepeso nas articulações também é relevante aqui: cada quilo extra aumenta a força de compressão na articulação femoropatelar, acelerando o processo degenerativo da cartilagem.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico da condromalácia patelar é predominantemente clínico. No exame físico, o sinal de Clarke, compressão da rótula contra o fêmur enquanto o paciente contrai o quadríceps, reproduz a dor característica. A palpação das facetas laterais da patela e a avaliação do alinhamento do aparelho extensor completam o exame.

A ressonância magnética confirma o grau de degeneração da cartilagem e descarta lesões associadas, menisco, ligamentos, edema ósseo subcondral. O ultrassom, que utilizo no consultório para avaliação e procedimentos guiados, permite identificar derrame articular e alterações dos tecidos moles periarticulares com agilidade, sem radiação.

Uma atenção importante no diagnóstico diferencial: a dor na frente do joelho também pode vir da tendinite patelar, que dói no polo inferior da rótula, logo abaixo, com ponto doloroso preciso, e da síndrome da dor femoropatelar, que pode coexistir com a condromalácia mas tem características próprias. O exame físico detalhado é o que diferencia.

Tratamento: o que funciona e por quê

Fortalecimento muscular como eixo central

Esse é o tratamento mais eficaz e mais subestimado ao mesmo tempo. Uma revisão integrativa de literatura publicada em 2025 analisou 15 estudos e concluiu que exercícios combinados de quadríceps, musculatura do quadril e estabilizadores do core produzem redução significativa de dor e melhora da função articular em pacientes com condromalácia patelar. 

O ponto central não é fortalecer o quadríceps de qualquer forma, é fortalecer priorizando a cadeia cinética fechada e os exercícios isométricos na fase inicial, que carregam a articulação com menor pressão sobre a cartilagem já sensível.

O fortalecimento do glúteo médio e dos rotadores externos do quadril é igualmente importante: quando esses músculos estão fracos, o joelho tende a cair para dentro durante movimentos funcionais, aumentando a lateralização da rótula. Corrijo esse padrão em conjunto com a fisioterapia, que conduz o protocolo de reabilitação específico para cada grau da condição.

Infiltração guiada por ultrassom

Nos casos em que há derrame articular e inflamação sinovial intensa, uma infiltração com corticoide ou com ácido hialurônico diretamente na articulação femoropatelar pode quebrar o ciclo inflamatório. E também permitir que o paciente entre na reabilitação com menos dor. Realizo esse procedimento com guia de ultrassom em tempo real para garantir precisão na deposição do material, a articulação femoropatelar tem anatomia que exige cuidado técnico na abordagem.

Modificação de atividade e controle de carga

Durante a fase aguda, oriento a restrição de movimentos que maximizam a pressão femoropatelar: agachamento profundo abaixo de 60 graus de flexão, leg press com carga elevada e flexão acentuada, subida e descida repetitiva de escadas com sobrecarga. 

Isso não significa parar de se exercitar, significa adaptar a forma de treinar enquanto a cartilagem tem a chance de se estabilizar e a musculatura de ganhar a força necessária para protegê-la.

Quando a cirurgia é indicada

A grande maioria dos casos de condromalácia patelar graus I a III resolve com tratamento conservador bem conduzido. A cirurgia, geralmente artroscopia para desbridamento da cartilagem degenerada ou realinhamento do aparelho extensor, fica reservada para os graus IV com exposição óssea sintomática e para os casos refratários após um ciclo rigoroso e prolongado de fisioterapia e tratamento conservador. 

Na minha experiência, os pacientes que não melhoram com o conservador geralmente não seguiram o protocolo com consistência. Ou não foram orientados sobre as adaptações necessárias no treino.

Se você tem dor na frente do joelho que piora ao sentar por muito tempo, agachar ou subir escadas, e que já dura mais de três semanas, o diagnóstico precoce define a diferença entre um tratamento de poucas semanas e uma condição que se arrasta por meses. Quanto mais cedo o grau da condromalácia é identificado, mais amplas são as opções de tratamento.

Sente dor na frente do joelho ao agachar, subir escadas ou ficar sentado por muito tempo? Agende uma avaliação. Identificamos o grau da condição com exame físico e ultrassom e montamos o protocolo de tratamento adequado para o seu caso.

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Bursite no joelho: quando a dor e o inchaço não vêm de dentro da articulação https://fernandoumada.com.br/bursite-no-joelho/ https://fernandoumada.com.br/bursite-no-joelho/#respond Mon, 25 May 2026 10:59:26 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2163 O joelho inchou. A dor apareceu do nada, sem queda, sem torção. O paciente vai ao médico, faz a ressonância magnética e ouve que a cartilagem está bem, os ligamentos estão intactos, o menisco não mostra lesão aguda. E a pergunta inevitável: “Então o que está causando esse inchaço e essa dor?” Em muitos desses […]

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O joelho inchou. A dor apareceu do nada, sem queda, sem torção. O paciente vai ao médico, faz a ressonância magnética e ouve que a cartilagem está bem, os ligamentos estão intactos, o menisco não mostra lesão aguda. E a pergunta inevitável: “Então o que está causando esse inchaço e essa dor?”

Em muitos desses casos, a resposta está fora da articulação. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido sinovial distribuídas ao redor do joelho com uma função específica: reduzir o atrito entre tendões, músculos e ossos durante o movimento. 

Quando uma dessas bolsas inflama, por sobrecarga, trauma, postura inadequada ou doença sistêmica, o resultado é a bursite, uma condição que gera dor e inchaço muito semelhantes aos de lesões internas, mas com origem e tratamento completamente diferentes.

Quais são as principais bursas do joelho e onde dói

O joelho tem mais de uma dezena de bursas, mas três delas concentram a maioria dos casos clínicos que recebo no consultório:

Bursite pré-patelar

Localizada na frente da rótula, entre a patela e a pele. Inflama por pressão direta, profissões que exigem trabalho de joelhos por longos períodos (mecânicos, jardineiros, trabalhadores da construção) são as mais afetadas. 

O inchaço aparece como uma bolsa d’água visível na frente do joelho, macia ao toque. A dor surge ao ajoelhar ou pressionar a região, mas nem sempre está presente durante a caminhada simples.

Bursite poplítea (cisto de Baker)

Forma-se na parte posterior do joelho. O líquido sinovial produzido em excesso dentro da articulação, muitas vezes por artrose ou lesão de menisco associada, migra para a bursa poplítea e forma o cisto. 

O paciente sente tensão e desconforto atrás do joelho, que piora com a extensão completa da perna. Tratar o cisto de Baker sem tratar a causa que está gerando o excesso de líquido intra-articular é erro clínico frequente: o cisto retorna.

Bursite anserina (pata de ganso)

É a mais comum entre os pacientes que vejo com artrose de joelho e sobrepeso. Localiza-se na face interna do joelho, logo abaixo da linha articular, no ponto onde três tendões, sartório, grácil e semitendíneo, se inserem na tíbia formando uma estrutura em leque que lembra uma pata de ganso. 

A dor é tipicamente noturna, piora ao subir escadas e ao cruzar as pernas. Muitos pacientes com artrose têm bursite anserina associada sem saber, e tratar apenas uma das condições explica por que a dor não melhora completamente com o tratamento prescrito.

Por que a bursite é confundida com outras lesões

A confusão acontece porque os sintomas se sobrepõem. Dor no joelho, inchaço, limitação de movimento, esses são os mesmos sinais de artrose, lesão de menisco e edema ósseo

O que diferencia a bursite é a localização precisa da dor fora da linha articular e o padrão de piora, geralmente com pressão direta sobre a bursa afetada ou com movimentos específicos, não com carga axial sobre a articulação.

A ressonância magnética pode mostrar a bursa inflamada com líquido em seu interior, mas em muitos casos o diagnóstico é clínico, feito pelo exame físico com palpação cuidadosa do joelho. 

O ultrassom é o exame mais prático para confirmar a inflamação da bursa, quantificar o líquido e guiar o tratamento quando necessário, e é o que utilizo no consultório antes de qualquer procedimento.

Quem desenvolve bursite no joelho

A bursite não tem um perfil único de paciente. Vejo essa condição em contextos bastante distintos:

Em pacientes com artrose, especialmente com sobrepeso, a bursite anserina é uma companheira frequente. A sobrecarga mecânica e o ambiente inflamatório sistêmico da obesidade aumentam a irritação das bursas periarticulares. Quando a dor interna do joelho não melhora proporcionalmente ao tratamento da artrose, olho especificamente para a bursa anserina.

Em atletas e corredores, a bursite iliotibial, inflamação da bursa na face lateral do joelho, pode coexistir com a síndrome da banda iliotibial e confundir o diagnóstico. O tratamento da bursa sem corrigir o problema biomecânico que a gerou resolve o sintoma no curto prazo, mas não elimina a causa.

Em pacientes com doenças reumáticas como gota e artrite reumatoide, as bursas são alvos frequentes de inflamação aguda. Nesses casos, o quadro pode ser intenso, vermelhidão, calor local, dor desproporcional, e exige diferenciação de uma bursite séptica, que tem tratamento completamente diferente.

Como o tratamento funciona

A maioria dos casos de bursite no joelho resolve com tratamento conservador, desde que a causa seja identificada e tratada em paralelo.

Controle da inflamação aguda

Na fase aguda, o objetivo é reduzir a inflamação local. Repouso relativo, aplicação de gelo, anti-inflamatórios e, quando indicado, uma infiltração guiada por ultrassom com corticoide diretamente na bursa afetada. 

A precisão do ultrassom é importante aqui: depositar o corticoide no local correto, dentro da bursa, não no tecido ao redor, define a eficácia do procedimento. Em bursas com muito líquido, realizo a punção para drenagem antes da infiltração.

Tratamento da causa de base

Sem isso, a bursite retorna. Se a causa é mecânica — pressão repetida no joelho —, é necessário modificar a atividade ou o posto de trabalho. Ou se é biomecânica — sobrecarga por fraqueza do glúteo médio num corredor, por exemplo —, a fisioterapia com fortalecimento específico é parte do protocolo. Se há artrose associada com excesso de líquido intra-articular alimentando o cisto de Baker, trato a articulação por dentro com viscossuplementação ou PRP enquanto cuido da bursa por fora.

Quando a cirurgia é necessária

Raramente. Reservo a abordagem cirúrgica para bursites crônicas que não responderam a múltiplos ciclos de tratamento conservador ou para casos de bursite séptica, infecção na bursa, que exigem drenagem e antibioticoterapia. Na prática clínica do dia a dia, a esmagadora maioria dos casos resolve sem chegar a esse ponto.

O erro mais comum que vejo

Tratar a dor e ignorar o diagnóstico. O paciente com bursite anserina que toma anti-inflamatório por conta própria, melhora parcialmente e conclui que é artrose. O corredor que descansa dois semanas, a bursite iliotibial cede, ele volta a treinar no mesmo volume e a inflamação retorna em quatro semanas. O paciente com cisto de Baker que drena o cisto sem tratar o menisco que está gerando o excesso de líquido.

A bursite no joelho tem tratamento eficaz. O que ela exige é diagnóstico correto, que começa pelo exame físico cuidadoso e pelo ultrassom para confirmar qual estrutura está inflamada, e um plano que trate a causa, não apenas o sintoma. Se você tem dor ou inchaço no joelho que não encontrou explicação nos exames habituais, pode ser que a resposta esteja numa bursa.

Tem inchaço ou dor no joelho que não passou com anti-inflamatório e repouso? Ou que o exame diz estar bem, mas a dor persiste? Agende uma consulta pelo WhatsApp. O diagnóstico preciso é o primeiro passo para o tratamento certo.

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Prótese de joelho: quando é a hora certa de operar e o que esperar da recuperação https://fernandoumada.com.br/protese-de-joelho/ https://fernandoumada.com.br/protese-de-joelho/#respond Mon, 11 May 2026 10:55:27 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2160 O paciente que precisa de prótese de joelho raramente chega ao consultório pedindo a cirurgia. Em geral, chega exausto. Exausto de conviver com uma dor que não passa mais, de acordar à noite com o joelho latejando, de abrir mão de coisas que considera simples, subir escada sem se segurar, caminhar um quarteirão sem parar, […]

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O paciente que precisa de prótese de joelho raramente chega ao consultório pedindo a cirurgia. Em geral, chega exausto. Exausto de conviver com uma dor que não passa mais, de acordar à noite com o joelho latejando, de abrir mão de coisas que considera simples, subir escada sem se segurar, caminhar um quarteirão sem parar, sentar e levantar sem precisar de ajuda.

Quando esse momento chega, a artroplastia total de joelho não é uma derrota do tratamento conservador. É a indicação correta para o estágio certo da doença. O problema é que muitos pacientes chegam tarde demais por medo, medo da cirurgia, da anestesia, da recuperação, da possibilidade de ficar preso numa cadeira de rodas. Esse artigo existe para desfazer esses medos com informação clínica honesta.

Quais são os critérios reais para indicar a prótese

A indicação da prótese de joelho não é baseada num número de raio-x. Não existe um grau de artrose que, por si só, determine que o paciente precisa operar. A decisão leva em conta três fatores em conjunto:

O primeiro é a dor que não cede a nenhum tratamento conservador bem conduzido. Quando um paciente já realizou ciclos de viscossuplementação com ácido hialurônico, PRP ou BMAC, fisioterapia estruturada e bloqueio de nervos geniculares, e ainda assim mantém dor que compromete o sono e as atividades diárias, os recursos não cirúrgicos foram esgotados.

O segundo fator é a perda funcional real. Não consigo mais caminhar mais de 200 metros. Não consigo mais subir a escada da minha casa, não consigo mais trabalhar. Quando a articulação interfere diretamente na autonomia do paciente, a qualidade de vida é o critério principal da indicação.

O terceiro é o achado de imagem confirmado. A radiografia mostra o grau IV de artrose pela escala de Kellgren-Lawrence, espaço articular praticamente inexistente, osso trabalhando diretamente contra osso. 

Nesse estágio, nenhuma terapia biológica tem base estrutural para agir. A artrose avançou além do que o tratamento conservador consegue reverter.

Os três fatores precisam estar presentes. Opero porque o paciente está sofrendo e perdeu autonomia, não porque a radiografia assustou.

O que é a prótese de joelho na prática

A artroplastia total de joelho é a substituição das superfícies articulares desgastadas por implantes de metal e polietileno de alta resistência. Não se remove o joelho inteiro, o osso continua lá. O que muda são as superfícies de contato: as extremidades do fêmur e da tíbia, que antes trabalhavam com cartilagem destruída, passam a se articular sobre componentes precisamente moldados para reproduzir a biomecânica natural da articulação.

A cirurgia dura em média duas horas. A anestesia pode ser geral ou raquídea, dependendo do caso clínico do paciente. A internação costuma ser de dois a três dias. Na manhã seguinte à cirurgia, o paciente já começa a colocar peso no joelho operado com apoio do fisioterapeuta, essa mobilização precoce é parte essencial do protocolo de recuperação, não é exceção.

O que esperar da recuperação semana a semana

A recuperação da prótese de joelho tem uma curva muito mais rápida do que a maioria dos pacientes imagina antes da cirurgia, e mais lenta do que alguns esperam na primeira semana.

Primeiras duas semanas

O joelho vai estar inchado, quente e a dor é real. Isso faz parte do processo inflamatório fisiológico da cicatrização. O paciente caminha com auxílio de andador, realiza exercícios de flexão passiva com o fisioterapeuta e começa a recuperar a amplitude de movimento. O controle da dor é feito com analgésicos e anti-inflamatórios prescritos. O edema costuma persistir por semanas, mas vai reduzindo progressivamente.

Entre a terceira e a sexta semana

A maioria dos pacientes abandona o andador e passa para a bengala. Muitos conseguem dirigir entre a quarta e a sexta semana, dependendo do membro operado e do tipo de câmbio do veículo. O retorno a trabalhos leves — sem carga física — acontece geralmente nesse período. A amplitude de movimento continua evoluindo com a fisioterapia.

Dos três aos seis meses

Essa é a fase em que o joelho começa a se sentir como joelho de novo. A marcha fica natural, o edema residual diminui bastante e o paciente retoma atividades como caminhadas mais longas, viagens e atividades de lazer de baixo impacto. 

Uma revisão sistemática publicada no PubMed mostrou que entre 36% e 89% dos pacientes retornam a atividades esportivas após a artroplastia total de joelho, com resultados melhores quando a reabilitação é individualizada e bem conduzida.

A recuperação completa, no sentido de extrair o máximo resultado da cirurgia, pode levar até 12 meses. Esse prazo assusta quem ouve, mas na prática o paciente está funcional e com dor significativamente menor muito antes disso. O que o ano todo traz é o refinamento progressivo da força muscular, da propriocepção e da confiança no joelho.

Quanto tempo dura uma prótese de joelho

Esse é um dos medos mais frequentes que ouço no consultório: “E se a prótese durar pouco e eu precisar operar de novo?” Os implantes modernos de joelho têm durabilidade comprovada acima de 20 anos em mais de 90% dos casos quando a indicação é correta e o protocolo de reabilitação é seguido. Isso significa que a grande maioria dos pacientes que opera com 65 ou 70 anos não precisará de uma revisão ao longo da vida.

Para pacientes mais jovens, abaixo de 55 anos, a conversa é diferente. Nesses casos, avalio com mais cuidado se ainda há espaço para tratamentos conservadores ou para cirurgias que preservem a articulação natural, como a osteotomia tibial. 

A prótese em pacientes jovens e ativos exige uma análise mais criteriosa da expectativa de revisão futura.

O que muda depois da cirurgia

A prótese não entrega um joelho de 20 anos. Ela entrega um joelho sem a dor incapacitante da artrose avançada. A amplitude de movimento após a artroplastia raramente é idêntica à de uma articulação jovem e saudável, o paciente consegue agachar, subir escadas, caminhar horas, sentar e levantar com facilidade, mas esportes de impacto alto são desaconselhados para preservar o implante.

O que a cirurgia devolve, na minha experiência com pacientes que passaram por esse processo, é autonomia. A capacidade de viver sem organizar o dia inteiro em torno da dor no joelho. Quando a indicação é correta e a reabilitação é bem feita, a satisfação dos pacientes com a prótese de joelho está entre as mais altas da ortopedia.

Se você ou alguém próximo está nessa fase, com dor constante, exames confirmando artrose avançada e sem resposta aos tratamentos conservadores, a consulta com um especialista em joelho é o próximo passo. A decisão de operar precisa de um diagnóstico completo e em expectativas realistas, não por pressão nem por medo. Posso ajudar nessa avaliação.

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Tendinite patelar: a dor abaixo da rótula que paralisa atletas e como tratar sem cirurgia https://fernandoumada.com.br/tendinite-patelar/ https://fernandoumada.com.br/tendinite-patelar/#respond Mon, 20 Apr 2026 12:36:18 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2155 A dor começa depois do treino. Uma queimação logo abaixo da rótula que some em alguns minutos e parece não ser motivo de preocupação. Com o tempo, ela aparece durante o treino também. Depois, ao subir escadas. Depois, ao levantar da cadeira. Quando o paciente finalmente chega ao consultório, muitas vezes já treinou por meses […]

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A dor começa depois do treino. Uma queimação logo abaixo da rótula que some em alguns minutos e parece não ser motivo de preocupação. Com o tempo, ela aparece durante o treino também. Depois, ao subir escadas. Depois, ao levantar da cadeira. Quando o paciente finalmente chega ao consultório, muitas vezes já treinou por meses ignorando os sinais que o tendão estava enviando.

A tendinite patelar, também chamada de joelho do saltador, é uma das lesões mais comuns em atletas que praticam esportes com saltos e desacelerações repetitivas: vôlei, basquete, Crossfit, futsal e corrida. Acomete até 20% dos atletas dessas modalidades e é responsável por um número expressivo de afastamentos prolongados quando não tratada corretamente na fase inicial.

O que é e onde exatamente dói

O tendão patelar conecta a patela (rótula) à tuberosidade da tíbia, o osso da canela. Toda vez que o quadríceps se contrai para estender o joelho, esse tendão transmite a força do músculo ao osso. Em esportes de salto, principalmente na fase de desaceleração após o impacto, essa transmissão de carga chega a ser extremamente intensa e repetitiva.

O problema não é o salto em si, é o acúmulo de microlesões no ponto de inserção do tendão no polo inferior da patela que supera a capacidade de regeneração tecidual. O resultado é um processo degenerativo localizado, mais tecnicamente chamado de tendinopatia, com alteração das fibras de colágeno e dor progressiva naquele ponto específico. Por isso a dor é precisa: o paciente consegue apontar com o dedo exatamente onde dói.

O diagnóstico é clínico na maioria dos casos. O ultrassom confirma o espessamento e a degeneração do tendão e permite planejar o tratamento com mais precisão. A ressonância magnética é solicitada quando há suspeita de ruptura parcial ou de lesões associadas dentro da articulação. Saiba quando a dor no joelho exige atenção médica imediata.

Por que ela piora progressivamente se não tratada

A tendinite patelar segue uma classificação bem estabelecida pela escala de Blazina, dividida em quatro fases. Na fase 1, a dor aparece apenas após o exercício, sem interferir no desempenho. Na fase 2, ela surge durante e após o treino, mas o atleta ainda consegue praticar. Na fase 3, a dor compromete a participação nas atividades. A fase 4 é a ruptura completa do tendão, situação que exige cirurgia e resulta em incapacitação imediata.

A maioria dos pacientes que vejo chega entre as fases 2 e 3. Treinou na dor por muito tempo acreditando que ela passaria sozinha, ou tomou anti-inflamatórios por conta própria para conseguir terminar a temporada. O problema é que o tendão degenerado não se recupera com repouso simples, ele precisa de estímulo controlado para reorganizar as fibras de colágeno e de intervenção quando o processo inflamatório já está instalado.

Fatores de risco que aumentam a sobrecarga no tendão

Nem todo praticante de esporte de salto desenvolve tendinite patelar. Existem fatores que tornam alguns indivíduos mais vulneráveis:

A fraqueza do quadríceps e dos isquiotibiais é o fator mais frequente. Quando esses músculos não têm capacidade de absorver adequadamente o impacto, o tendão recebe uma carga desproporcional. O impacto do sobrepeso nas articulações também é relevante: cada quilo a mais multiplica a tensão sobre o mecanismo extensor do joelho. O aumento abrupto de carga no treino, aumentar quilometragem ou volume de saltos de forma rápida, é outra causa clássica, especialmente em atletas amadores que treinam sem periodização adequada.

Encurtamento muscular da cadeia posterior, pisada pronada sem compensação com calçado adequado e superfícies muito duras de treino completam os principais fatores de risco. O mais importante é identificar qual deles está presente no caso específico de cada paciente, porque o tratamento precisa corrigir a causa, não apenas aliviar o sintoma.

O que funciona no tratamento

Exercício excêntrico: a base da reabilitação

O exercício excêntrico, aquele em que o músculo trabalha enquanto é alongado, como o agachamento controlado na descida, é hoje a intervenção com melhor evidência científica para a tendinite patelar. Ele estimula a remodelação do colágeno e aumenta a resiliência do tendão ao longo do tempo. A fisioterapia estruturada com esse protocolo, aliada ao fortalecimento do quadríceps e do glúteo, é o eixo central do tratamento conservador. Veja também quais exercícios são seguros para quem tem problemas no joelho.

Terapia por Ondas de Choque

Quando a tendinite já é crônica, com alterações degenerativas estabelecidas no tendão, a terapia por ondas de choque é uma das opções mais eficazes disponíveis. O equipamento emite pulsos acústicos de alta energia diretamente sobre o ponto lesionado, estimulando a circulação local, promovendo a formação de novos vasos sanguíneos e acelerando a remodelação do tecido. 

A Revista Brasileira de Ortopedia documenta resultados superiores às terapias convencionais em casos de tendinopatia patelar crônica tratados com ondas de choque. Utilizo esse recurso no consultório em casos que já não respondem adequadamente ao protocolo de fisioterapia isolado.

PRP: quando o tendão não regenera sozinho

O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é indicado para casos moderados a avançados, em que a degeneração tendínea está consolidada. O concentrado de plaquetas obtido do próprio sangue do paciente é injetado diretamente no tendão sob guia de ultrassom, liberando fatores de crescimento que estimulam a síntese de colágeno e modulam o processo inflamatório local. 

Por ser uma terapia autóloga, retirada do próprio corpo do paciente, o risco de reações adversas é muito baixo. Entenda melhor como o PRP se compara ao ácido hialurônico no tratamento do joelho.

O papel do ultrassom no consultório

Para qualquer infiltração que realizo no tendão patelar, utilizo o ultrassom em tempo real como guia. O tendão patelar tem uma espessura reduzida e depositar o material no local exato, e não ao redor dele, faz diferença nos resultados. O medo da agulha é uma preocupação comum, mas com guia de imagem e anestesia local, o procedimento é bem tolerado pela grande maioria dos pacientes.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é uma indicação rara na tendinite patelar, reservada para os casos de ruptura completa do tendão (fase 4 de Blazina) ou para os pacientes que não tiveram melhora após pelo menos seis meses de tratamento conservador bem conduzido. 

O procedimento envolve a retirada do tecido degenerado e o estímulo à cicatrização local. Os resultados são bons quando a indicação é correta, mas a grande maioria dos pacientes que atendo resolve o quadro sem chegar a essa etapa, desde que o tratamento comece cedo e com o protocolo adequado.

O erro mais comum que vejo é o atleta tratar a dor, com gelo, anti-inflamatório e repouso, sem tratar o tendão. A dor some, ele volta a treinar, e o ciclo de microlesões recomeça. Quando o quadro evolui para fase 3 ou 4, as opções ficam mais limitadas e a recuperação é mais longa. Se você tem dor abaixo da rótula que persiste por mais de duas semanas, agende uma avaliação antes que o tendão avance para um estágio mais difícil de reverter.

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Síndrome da banda iliotibial: a dor na lateral do joelho que para corredores no meio do treino https://fernandoumada.com.br/sindrome-da-banda-iliotibial/ https://fernandoumada.com.br/sindrome-da-banda-iliotibial/#respond Mon, 06 Apr 2026 12:32:20 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2152 O corredor conhece bem o momento exato em que ela aparece. A dor não está dentro do joelho nem na frente, está do lado de fora, numa região muito precisa, que começa a incomodar depois de alguns quilômetros. Às vezes some com o aquecimento. Depois volta mais forte. Em certos casos, impede que o treino […]

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O corredor conhece bem o momento exato em que ela aparece. A dor não está dentro do joelho nem na frente, está do lado de fora, numa região muito precisa, que começa a incomodar depois de alguns quilômetros. Às vezes some com o aquecimento. Depois volta mais forte. Em certos casos, impede que o treino seja concluído.

A síndrome da banda iliotibial, popularmente chamada de joelho do corredor, é responsável por até 22% de todas as lesões em praticantes de corrida de rua, segundo a literatura especializada. 

É a causa mais frequente de dor lateral no joelho em atletas de endurance e pode afetar desde iniciantes que aumentaram a quilometragem rapidamente até corredores experientes que ignoraram sinais de sobrecarga por tempo demais.

O que é a banda iliotibial e por que ela irrita

A banda iliotibial é uma faixa de tecido fibroso denso que percorre toda a lateral da coxa, da pelve até a tíbia. Ela não é um músculo, mas trabalha em conjunto com o glúteo máximo e o tensor da fáscia lata para estabilizar o joelho lateralmente durante os movimentos de corrida.

O problema acontece em um ponto específico: quando o joelho flete em torno de 30 graus, exatamente o ângulo que o joelho passa repetidamente durante a corrida,, a banda iliotibial cruza o epicôndilo lateral do fêmur. Com o atrito repetitivo desse tecido sobre essa saliência óssea, a bursa local se inflama. O resultado é aquela dor lateral característica que piora progressivamente durante o exercício e costuma ceder com o repouso, mas volta tão logo o treino recomeça.

Vale distinguir: o joelho do corredor não é uma lesão dentro da articulação. Não há dano à cartilagem, ao menisco ou aos ligamentos cruzados. Isso é importante porque, ao contrário da artrose do joelho ou da lesão de menisco, a síndrome da banda iliotibial é uma lesão de tecidos moles periarticulares com excelente resposta ao tratamento conservador quando abordada corretamente.

Como diferenciar do joelho do saltador e da lesão de menisco

A localização da dor é o primeiro elemento diagnóstico. A tendinite patelar dói na frente do joelho, logo abaixo da rótula. A lesão de menisco costuma doer na linha articular, com travamentos e estalos. A síndrome da banda iliotibial dói especificamente na lateral do joelho, ao redor do epicôndilo femoral lateral, uma região que pode ser palpada e reproduzida durante o exame físico.

O diagnóstico é clínico. O ortopedista reproduz a dor com o teste de Noble (compressão sobre o epicôndilo lateral com o joelho a 30 graus de flexão) e avalia o encurtamento da banda com o teste de Ober. A ressonância magnética é solicitada para descartar lesões internas quando o exame clínico gera dúvida, mas raramente é necessária para confirmar a síndrome da banda iliotibial em corredores com o quadro típico.

Por que alguns corredores desenvolvem e outros não

A síndrome da banda iliotibial raramente aparece por acaso. Quando chego aos fatores causais, quase sempre identifico um ou mais dos seguintes:

Fraqueza do glúteo médio

Esse é o fator mais frequente que encontro. O glúteo médio é o principal abdutor e estabilizador lateral do quadril. Quando está fraco, o quadril cai para o lado oposto a cada passada, um padrão chamado de Trendelenburg, e isso aumenta a tensão da banda iliotibial sobre o fêmur. 

O corredor que tem esse déficit pode correr anos sem sentir nada, até que o volume de treino supere a capacidade compensatória do sistema. É por isso que a lesão surge com frequência quando o atleta aumenta a quilometragem para preparar uma prova de longa distância. 

Veja também como o fortalecimento muscular protege o joelho durante esportes de alto impacto.

Progressão abrupta de carga

Aumentar mais de 10% do volume semanal de treino por semana é um fator de risco clássico para lesões por uso excessivo. A banda iliotibial não tem tempo de se adaptar ao novo estímulo e o atrito sobre o epicôndilo supera o limiar de tolerância do tecido.

Terreno e biomecânica

Correr sempre no mesmo sentido em pistas circulares, treinar em subidas e descidas repetidas ou usar calçado inadequado para o tipo de pisada são fatores externos que alteram a carga sobre a banda iliotibial. A avaliação biomecânica da corrida pode identificar padrões de movimento que predispõem o corredor a essa e outras lesões. Em atletas que já passaram pelo episódio de síndrome, essa avaliação faz parte do protocolo de prevenção de recidiva que recomendo.

Como tratamos no consultório

A maioria dos casos de síndrome da banda iliotibial resolve com tratamento conservador bem conduzido. O prognóstico é excelente quando a intervenção começa precocemente, antes que a inflamação se torne crônica.

Fase aguda: controle da inflamação

Nos primeiros dias, o objetivo é reduzir a inflamação local. Isso envolve repouso relativo — suspender as corridas longas, mas não necessariamente parar toda a atividade —, aplicação de gelo sobre o epicôndilo lateral e, quando necessário, anti-inflamatórios por tempo limitado. 

Em casos de dor intensa que não cede, realizo uma infiltração guiada por ultrassom com corticoide na bursa inflamada para quebrar o ciclo inflamatório e permitir que o paciente entre na fase de reabilitação com conforto. Sobre o procedimento de infiltração, explico os detalhes no artigo infiltração dói? Mitos e verdades sobre o procedimento no joelho.

Reabilitação: a causa precisa ser corrigida

O fortalecimento do glúteo médio e dos abdutores do quadril é o eixo central da reabilitação. Sem isso, o tratamento alivia a dor, mas não resolve o problema biomecânico que gerou a lesão. Associo ao protocolo o alongamento específico da banda iliotibial e do tensor da fáscia lata, a liberação miofascial com rolo e o retorno gradual à corrida com progressão de carga controlada.

Ondas de choque nos casos crônicos

Quando a síndrome da banda iliotibial cronifica, o que acontece com corredores que persistem no treino por meses após o início dos sintomas,, a terapia por ondas de choque é uma aliada importante. Ela estimula a remodelação do tecido espessado e reduz a sensibilidade dolorosa local, complementando o trabalho da fisioterapia. Utilizo o mesmo equipamento que aplico nos casos de tendinite patelar e bursite, sempre com protocolo individualizado pelo estágio da lesão.

Quando a cirurgia entra em cena

A cirurgia para síndrome da banda iliotibial é rara, reservada para casos refratários que não responderam a três ou mais meses de tratamento conservador rigoroso. O procedimento consiste na liberação parcial da banda no ponto de atrito com o epicôndilo. Tem bons resultados quando bem indicado, mas a imensa maioria dos corredores que atendo nunca chega a precisar dessa etapa.

O que mais atrasa a recuperação não é a gravidade da lesão, mas o tempo que o corredor leva para parar de treinar na dor e buscar avaliação especializada. A síndrome da banda iliotibial diagnosticada na fase inicial responde bem em quatro a seis semanas de tratamento. 

Na fase crônica, esse prazo dobra ou triplica. Se você sente dor na lateral do joelho que aparece durante a corrida e persiste após ela, é hora de entender o que está acontecendo antes de aumentar ainda mais o volume de treino. Agende sua consulta.

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Artrose no joelho após a menopausa: por que os joelhos pioram nessa fase e o que fazer https://fernandoumada.com.br/artrose-no-joelho-apos-a-menopausa/ https://fernandoumada.com.br/artrose-no-joelho-apos-a-menopausa/#respond Mon, 23 Mar 2026 10:20:52 +0000 https://fernandoumada.com.br/?p=2145 A dor começou de um jeito que parecia passageiro. Um desconforto ao descer escadas, uma rigidez de manhã que passou a durar mais tempo do que antes. Depois, o joelho inchou sem nenhuma queda ou torção. Para muitas mulheres entre 50 e 65 anos, esse é o roteiro silencioso pelo qual a artrose no joelho […]

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A dor começou de um jeito que parecia passageiro. Um desconforto ao descer escadas, uma rigidez de manhã que passou a durar mais tempo do que antes. Depois, o joelho inchou sem nenhuma queda ou torção. Para muitas mulheres entre 50 e 65 anos, esse é o roteiro silencioso pelo qual a artrose no joelho após a menopausa se instala.

O que poucos explicam com clareza é o motivo biológico por trás disso. A artrose não chegou por acaso nessa fase da vida. Há uma conexão direta entre a queda do estrogênio e a aceleração do desgaste da cartilagem. Quando entendemos esse mecanismo, o tratamento faz muito mais sentido.

O papel do estrogênio na saúde da cartilagem

O estrogênio não é apenas um hormônio reprodutivo. Ele desempenha uma função protetora dentro das articulações, estimulando a produção de colágeno e proteoglicanos, as moléculas que dão à cartilagem sua capacidade de absorver impacto. Além disso, tem ação anti-inflamatória: reduz a liberação de citocinas que atacam o tecido articular.

Com a chegada da menopausa, os níveis desse hormônio caem de forma abrupta. O ambiente interno do joelho muda. A cartilagem perde suporte bioquímico, a sinóvia fica mais inflamada e o osso subcondral, que fica logo abaixo da cartilagem, começa a sofrer microlesões. O resultado é aquele edema ósseo que aparece na ressonância magnética e causa dor intensa, um sinal de que a articulação já está reagindo à perda hormonal.

Um estudo publicado na BMJ Global Health em 2025, que analisou dados de mais de 200 países pelo Global Burden of Disease, revelou que os casos de artrose em mulheres acima de 55 anos cresceram 133% entre 1990 e 2021. Ainda mais impactante: o número de anos de vida saudável perdidos por conta da doença subiu 142% no mesmo período. O joelho foi a articulação mais afetada.

Por que as mulheres desenvolvem artrose mais do que os homens

A artrose de joelho é cerca de duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens, especialmente após os 55 anos. Esse dado não é coincidência. Além da queda hormonal, existem outros fatores anatômicos e biomecânicos que explicam essa diferença.

O ângulo Q, a inclinação entre o quadril e o joelho, é maior nas mulheres por conta da largura pélvica. Isso aumenta a pressão sobre o compartimento medial da articulação, acelerando o desgaste da cartilagem nessa região específica. Soma-se a isso a tendência ao ganho de peso durante a menopausa, que multiplica a carga sobre os joelhos a cada passo.

Recebo no consultório pacientes que ganham entre 5 e 8 kg nos dois primeiros anos da menopausa e atribuem a piora do joelho exclusivamente à idade. Mas o peso e a inflamação sistêmica causada pelo tecido adiposo têm impacto direto na cartilagem. Cada quilo a mais equivale a quatro quilos extras de pressão sobre o joelho durante a marcha, esse dado clássico da literatura ortopédica muda completamente a forma como abordamos o tratamento. Eu sempre oriento a perda de peso como parte do protocolo, não como conselho genérico, mas como medida terapêutica com efeito mensurável na artrose.

Como identificar que a artrose está relacionada à menopausa

Nem toda dor no joelho que surge após os 50 anos é artrose, e nem toda artrose é consequência direta da menopausa. O diagnóstico precisa considerar o contexto hormonal da paciente.

Quando atendo uma mulher nessa faixa etária com dor no joelho, peço além dos exames de imagem, radiografia e ressonância magnética, uma avaliação do histórico hormonal. A dor no joelho ao dobrar e esticar a perna associada a rigidez matinal que dura mais de 30 minutos, crepitação e inchaço recorrente sem trauma prévio são sinais sugestivos de artrose em progressão. Quando a ressonância mostra redução do espaço articular, edema subcondral e alterações meniscais degenerativas, o quadro já está estabelecido.

O que os tratamentos conservadores podem fazer nessa fase

O fato de a artrose ser degenerativa não significa que é irreversível na fase inicial e moderada. Minha abordagem prioriza modificar o ambiente interno da articulação antes de qualquer indicação cirúrgica.

Viscossuplementação com Ácido Hialurônico

O ácido hialurônico é o principal componente do líquido sinovial, aquele que lubrifica e amortece o joelho. Com a artrose e a queda do estrogênio, sua concentração diminui. A infiltração guiada por ultrassom repõe essa substância diretamente na articulação, restaurando a viscosidade do líquido. Funciona como trocar o óleo degradado de um motor: a peça não é nova, mas trabalha com muito menos atrito. Saiba mais sobre como o ácido hialurônico e o PRP se comparam no tratamento do joelho.

PRP e BMAC: a medicina regenerativa como aliada

Para casos moderados, utilizo o Plasma Rico em Plaquetas (PRP) e o Concentrado de Medula Óssea (BMAC). Essas terapias biológicas atuam de forma diferente do ácido hialurônico: em vez de apenas lubrificar, elas modulam a inflamação e estimulam os mecanismos de reparo do próprio corpo. 

Um estudo clínico prospectivo randomizado publicado em 2025 demonstrou que o BMA reduziu significativamente a dor em pacientes com osteoartrite de joelho após 6 meses, com resultados superiores ao grupo controle tratado com corticoide e bloqueio genicular.

O BMAC é obtido a partir de uma aspiração de pequena quantidade de medula óssea da crista ilíaca do próprio paciente. O material é concentrado em centrífuga e injetado no joelho sob guia de ultrassom. Por ser autólogo, retirado do próprio corpo, não há risco de rejeição.

Fortalecimento muscular como base do tratamento

Nenhuma infiltração sustenta seus resultados sem o apoio muscular adequado. O quadríceps e o glúteo médio são os principais estabilizadores do joelho. Quando estão fracos, o que é muito comum em mulheres sedentárias na menopausa, toda a carga recai sobre a cartilagem. Oriento sempre fisioterapia direcionada ao fortalecimento desses grupos musculares em conjunto com qualquer procedimento que realizo. Veja também exercícios seguros para quem tem problemas no joelho.

Quando a cirurgia passa a ser a indicação correta

Quando o desgaste é total e a dor compromete atividades básicas como caminhar e dormir, a artroplastia total de joelho se torna a melhor solução. Não é uma derrota, é a indicação correta para o estágio certo da doença. A prótese moderna tem durabilidade superior a 20 anos e permite retorno à vida ativa em poucos meses. O que não faz sentido é operar um joelho que ainda tem estrutura para responder ao tratamento conservador.

Cada paciente que atendo passa por avaliação individualizada: exames de imagem, histórico clínico, nível de atividade física, comorbidades e, no caso das mulheres nessa faixa etária, o contexto hormonal. O tratamento parte dessa leitura completa, não de um protocolo genérico.

Se você está na menopausa e sente que os joelhos pioraram nos últimos meses, não espere o quadro avançar. Agende uma consulta: a janela para o tratamento conservador tem um prazo. Depois que a artrose progride para o grau severo, as opções mudam.

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O paciente chegou ao consultório com a ressonância debaixo do braço e uma frase na ponta da língua: “O ortopedista disse que ainda não precisa operar, mas que o tratamento convencional não está mais adiantando.” 

Esse é o perfil mais comum de quem perguntar sobre o BMAC. Um joelho que já passou pelo ácido hialurônico, pelo PRP, pela fisioterapia, e que ainda dói.

O BMAC (Bone Marrow Aspirate Concentrate, ou Concentrado de Aspirado de Medula Óssea) não é um tratamento novo para quem ainda não tentou nada. Ele é um passo mais avançado dentro da medicina regenerativa, indicado quando as terapias biológicas de primeira linha já foram usadas e o paciente ainda tem cartilagem preservada suficiente para responder ao tratamento.

O que é o BMAC e de onde ele vem

A medula óssea é a fábrica de células do nosso corpo. Dentro dela, além dos glóbulos vermelhos e brancos, existem células mesenquimais, células com capacidade de se diferenciar em tecidos como cartilagem, osso e tendão. O BMAC é exatamente o concentrado dessas células, extraído do próprio paciente.

O procedimento começa com a aspiração de uma pequena quantidade de medula óssea da crista ilíaca, o osso da bacia. Uma agulha específica é introduzida sob anestesia local e retira cerca de 60 ml de aspirado. 

Esse material é então colocado em uma centrífuga especial que separa os componentes: os glóbulos vermelhos são descartados e o que fica é um concentrado rico em células mesenquimais, plaquetas e fatores de crescimento. Em seguida, o BMAC é injetado diretamente no joelho, guiado por ultrassom para garantir que o material chegue exatamente onde precisa.

A diferença entre o BMA (não concentrado) e o BMAC está na etapa de concentração: com a centrifugação, aumenta-se a quantidade de células ativas no volume injetado, potencializando o efeito terapêutico.

Como o BMAC age dentro do joelho

Diferentemente do ácido hialurônico, que atua principalmente como lubrificante, o BMAC trabalha em outra camada: ele modifica o ambiente inflamatório da articulação e estimula os mecanismos de reparo do próprio organismo.

O cartilagem articular é um tecido avascular, não tem vasos sanguíneos, e por isso tem capacidade de regeneração muito limitada naturalmente. Os fatores de crescimento presentes no BMAC atuam diretamente nos condrócitos (as células da cartilagem), reduzindo a produção de citocinas inflamatórias e estimulando a síntese de colágeno e proteoglicanos. 

O efeito não é instantâneo: ele se desenvolve nas primeiras semanas após a aplicação e pode se consolidar ao longo de três a seis meses. Isso explica por que alguns pacientes ficam impacientes nas primeiras semanas — o processo biológico tem um ritmo próprio.

Uma revisão sistemática publicada no American Journal of Sports Medicine analisou 11 estudos sobre o uso do BMAC em lesões de cartilagem e artrose de joelho. Todos eles relataram resultados bons a excelentes, sem eventos adversos significativos. 

Um ensaio clínico randomizado mais recente, publicado em 2025 na revista Ortopedia e Traumatologia, demonstrou redução significativa de dor no grupo tratado com aspirado de medula óssea em comparação ao grupo controle, medida pelo índice WOMAC após seis meses.

Para quem o BMAC é indicado

Não é qualquer joelho com dor que se beneficia do BMAC. A indicação depende de três critérios principais: o estágio da artrose, a presença de estrutura cartilaginosa ainda preservada e o histórico de tratamentos anteriores.

Indico o BMAC para pacientes com artrose de joelho nos graus 2 e 3 (escala de Kellgren-Lawrence), que já realizaram ciclos de ácido hialurônico ou PRP com resposta insuficiente e que ainda têm cartilagem remanescente visível na ressonância magnética. 

Também avalio seu uso em defeitos condrais focais, lesões localizadas em áreas específicas da cartilagem, comuns em jovens atletas após traumas.

Na artrose grau 4, com desgaste total da cartilagem e osso exposto, o BMAC não tem base suficiente para agir: não há tecido residual para estimular. Nesses casos, a artroplastia total de joelho continua sendo a indicação mais eficaz. 

A medicina regenerativa não substitui a cirurgia quando a cirurgia é a opção correta, ela existe para ampliar a janela de tratamento antes que esse momento chegue.

BMAC versus PRP: qual a diferença prática

Essa é uma pergunta que recebo com frequência. O PRP é obtido do sangue do próprio paciente, por punção venosa simples. Concentra plaquetas e fatores de crescimento, com ação principalmente anti-inflamatória e de modulação do ambiente articular. É uma terapia de entrada mais acessível, com protocolo mais simples.

O BMAC adiciona a essa equação as células mesenquimais da medula óssea, que têm capacidade de diferenciação tissular. Isso torna o BMAC uma opção de maior potencial regenerativo, especialmente em quadros onde o dano cartilaginoso já é mais extenso. 

O custo e a complexidade do procedimento também são maiores, o que justifica reservar o BMAC para os casos onde o PRP já foi tentado ou onde o quadro clínico demanda uma intervenção mais robusta.

Como é o procedimento no consultório

O BMAC é realizado em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação. O paciente recebe anestesia local na região da crista ilíaca. A aspiração da medula leva menos de 15 minutos. O processamento em centrífuga ocorre ali mesmo, no consultório, e em seguida o concentrado é injetado no joelho com guia de ultrassom em tempo real.

O uso do ultrassom nessa etapa não é um detalhe técnico, é o que garante precisão milimétrica na deposição do material. Infiltrar sem guia de imagem em uma articulação com desgaste avançado e anatomia alterada aumenta significativamente o risco de errar o alvo. 

Sobre os medos relacionados ao procedimento, especialmente o medo da agulha, eu explico em detalhes no artigo Infiltração dói? Mitos e verdades sobre o procedimento no joelho.

Após a aplicação, o paciente retoma as atividades leves em 24 a 48 horas. Recomendo evitar impacto intenso por duas semanas e associar o retorno à fisioterapia ao protocolo, principalmente para fortalecimento do quadríceps e glúteo médio, que potencializam e sustentam os resultados biológicos do tratamento.

O que esperar dos resultados

Os resultados do BMAC não são uniformes para todos os pacientes, e seria desonesto apresentá-lo como solução definitiva. O que a literatura mostra, e o que observo na minha prática, é uma melhora consistente na dor e na função articular nos casos bem selecionados, especialmente entre três e seis meses após a aplicação.

Pacientes com artrose moderada, boa reserva muscular e comprometimento com a reabilitação tendem a ter os melhores resultados. Fatores como sobrepeso e diabetes podem reduzir a eficácia, pois alteram o ambiente inflamatório sistêmico. 

Por isso avalio cada caso antes de indicar, o BMAC não é para todo paciente, mas para o paciente certo, é hoje um dos tratamentos mais promissores dentro da ortopedia regenerativa.

Se você já passou por outras infiltrações e ainda sente dor no joelho, pode ser que o próximo passo seja uma avaliação para o BMAC. Agende uma consulta pelo WhatsApp para analisarmos o seu caso com exames e histórico clínico em mãos.

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